
Teu corpo rígido e forte em cada milímetro… E essa tua respiração, notável aos peitos leves sob a blusa, tua pele transparente de segurança como um pó, que se assoprar sente, e continua impregnado a proteger seu forte como um leão magro e destemido que, por seu louvor de rei, ainda continua em pé. Teus olhos traem até a parte de ar que tocam e que, se fecha, tua boca geme e se contrai.
Não é a minha boca que te toca, mas já foste. Já foi o meu prazer que preenchia o corpo belo e linear abrangente da tua mente de malícia e manobra. Já foste minhas mãos que contornaram tuas revoltas, já foram essas mãos que te calaram os discursos inúteis ao acordar, já foste minhas mãos que te puxaram do chão quando caíste embriagada e filosófica ao leito do amanhecer na porta do bar.
Ver-te escorada a um poste de madeira, cantando, em algumas doses de álcool, a tua música, teu rock, lembro-me do teu cambalear me querendo impressionar enrolada aos lençóis da minha cama: se mexia vagarosamente cantando e me tocando. E dançava… Oscilando entre entregar-se e em outro segundo, voar singularmente à outro mundo, sozinha, mundo da tua música. Gostava de te ver deitar nua e sozinha e observar quando teus olhos perdidos fitavam o teto, provavelmente bolando uma das teorias sobre bares e quedas das estrelas.
Ver-te fútil ao olhar de outros marmanjos que passavam mãos desconhecidas sob tuas curvas não me cabia, eles não sabiam nada de ti, provavelmente te mandariam calar a boca quando ouvissem tuas histórias e tu não te importarias, gemeria mais alto. Perdendo em cada momento com eles um pouco da tua alegria, e no momento em que estivesse da excitação cega, toda tua essência viraria branco, o mesmo branco da tua pele. E desse branco, que oscila do azul dos teus olhos ao preto do cabelo, num instante de três centímetros de suor e pele, de dentes e língua, tu seria outra mulher: mais fria, mais puta, mais madura e cicatrizada.
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