
O casamento é visto como uma prisão por muitos homens. Não era diferente com o Cláudio. Ele era um cara boa-pinta (homem não chama outro homem de bonito, táligado) e gostava de uma boa festa. Após alguns anos de casamento sentia uma espécie de asfixia d'alma. Resumo da situação: ia escondido à festas e se envolvia com diversas amantes.
Cláudio passava perrengue com grana, então escolhia suas mulheres pelo poder aquisitivo. Ficava na porta da casa noturna analisando em que carro as mulheres chegavam e assim saberia em quem investir.
Uma quarentona de corpo rígido e seios fartos, dona de um BMW novinho, foi sua grande amante. Estava encantado por ela. A tal ponto que cogitara em pequenos devaneios torná-la sua esposa.
Ah, mas isso foi até um tenebroso dia. No apartamento dessa sedenta loba, após uma flamejante transa, Cláudio resolveu ir na cozinha e fazer um lanche. Abriu a geladeira e avistou um maravilhoso filé. Tirou da geladeira e colocou sobre a mesa. Virou-se para pegar um refrigerante e ao voltar encontra o seu suculento filé no chão, no pratinho do cachorro. Levantou a cabeça e lá estava a coroa, em uma diminuta lingerie e com uma cara de poucos amigos.
-Você ia comer o lanche do Bob?
-Como?!
-Você ia comer o lanche do Bob!
-O teu cachorro come filé?!
Ele pegou suas coisas apressadamente. Fechou a porta com toda a sua força.
Desde aquele dia Cláudio nunca mais traiu. Quando soube que o cachorro comia filé naquele apartamento lembrou da sua família comendo carne de segunda. Sua familia. Ele não poderia esquecer da sua familia.
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